O OBSCURO ANTONIO ROLANDO - O ASTRO BRASILEIRO DE FILMES MUDOS AMERICANOS

Desde os primórdios do cinema mudo, alguns atores e atrizes brasileiros tentaram a sorte em Hollywood. Syn de Conde e Lia Torá são alguns exemplos. Houve também Antonio Rolando, que estrelou filmes em Hollywood, retornou ao Brasil e produziu alguns longas, mas, infelizmente, sua história foi apagada pelo tempo.

Seu nome de batismo era Archimedes Machado de Lalôr, nascido no Amazonas (embora algumas fontes mencionem Belém). Proveniente de uma família rica, foi aos Estados Unidos com o objetivo de aprimorar seus conhecimentos em eletricidade, pois era diretor técnico da Usina de Luz, Água e Gelo de Óbidos, no Pará. Entretanto, acabou se encantando pelo cinema, que era uma novidade à época, e conseguiu um contrato com a produtora Cosmopolitan, estrelando três filmes. Ele também contou com o apoio do diretor Roberto Vignola, que facilitou sua estreia no cinema e o orientou em sua carreira.

Outro fator que impulsionou sua trajetória foi o fato de ter salvo a colunista Peggy Hamilton e seu marido de um acidente em uma mina boliviana, anos antes. Quando sua popularidade começou a crescer, Hamilton solicitou uma entrevista com ele e, ao encontrá-lo, reconheceu-o. Em sinal de gratidão, decidiu ajudá-lo a alavancar sua carreira.

Em 1922, ele e Syn de Conde já eram celebrados por revistas e jornais como os primeiros atores brasileiros a estrelarem filmes em Hollywood. Trabalhou em estúdios como Paramount e Universal, atuando ao lado de atrizes como Marion Davies e Corinne Griffith, e de atores como William Desmond. Durante sua passagem por Hollywood, também escreveu uma coluna sobre entrevistas e bastidores na revista Para Todos. Na Universal, assinou um contrato de cinco meses, recebendo 300 dólares por semana.

Em 1923, Antonio retornou ao Brasil, e seu retorno foi amplamente comemorado pela revista Para Todos, onde ele compartilhou histórias de sua experiência em Hollywood. Ao voltar, ficou surpreso com a falta de evolução na qualidade dos filmes brasileiros e decidiu produzir longas com base no conhecimento adquirido no exterior.

Em 1925, a convite do estúdio Apa-Film, protagonizou e dirigiu "Lágrimas que Triunfam", sendo demitido algum tempo depois. Em 1926, tornou-se um dos diretores da Nacional Film, dirigindo a comédia "Filmando Fitas". Em 1930, atuou como gerente do Cine Glória, na Bahia. No ano seguinte, deixou temporariamente o cinema para trabalhar na Companhia Brasileira de Engenharia e Comércio, onde realizava reparos em torpedos e compressores.

Em 1932, uma reportagem do Diário da Noite mencionou que Antonio havia desempenhado diversas profissões após sua atuação e direção no cinema. Além de ator e diretor, foi dançarino, ator de variedades, inventor, entre outros. A mesma reportagem menciona sua participação no movimento revolucionário de Óbidos, onde foi preso vestindo roupas femininas, sendo alvo de deboche. Esse trecho sugere que sua carreira no Brasil não foi tão bem-sucedida quanto a de seus colegas.

No IMDB, seu último crédito em filmes é de 1936, em "Caçando Feras". No banco de dados da Cinemateca, ele é creditado tanto no elenco quanto como assistente de direção. Já uma reportagem do jornal O Comércio, de 1984, menciona sua participação no filme "Alma e Corpo de uma Raça", de 1938. Faleceu em 1943, aos 49 anos.





FONTES
https://memoria.bn.gov.br (materiais da época)

https://bases.cinemateca.org.br/cgi-bin/wxis.exe/iah/?IsisScript=iah/iah.xis&base=FILMOGRAFIA&lang=p&nextAction=lnk&exprSearch=ID=003406&format=detailed.pft#1

https://www.blogmarcoscantuario.com.br/coluna/edudias/1-arquimedes-lalor-dancarino-e-revolucionario.html


Post a Comment

Obrigado por comentar!!!

أحدث أقدم